News Dapo - Construtoras médias levam fatia das gigantes

Enviada em 12/06/2013

22 May 2013

Fonte: DCI


O desempenho das maiores construtoras brasileiras no primeiro trimestre do ano, como a PDG, Gafisa, Rossi e Brookfield, que registraram prejuízo liquido nos três primeiros meses do ano, abrem no cenário de obras no País uma oportunidade para as médias incorporadoras, que apostam na segmentação - de regiões e públicos - para manter o ritmo de expansão este ano.

"Os grandes nomes da construção no País passam por um momento de reestruturação, é preciso reavaliar a rentabilidade, além de rever públicos e mercados, que nem sempre são rentáveis - é o caso do Minha Casa, Minha Vida -, muitas vezes são um tiro no pé da construtora", diz Emanuel Quirão, professor de engenharia civil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o professor, muitas vezes, para garantir o preço estipulado pelo governo federal, as incorporadoras encontram terrenos com valores muito baixo, que necessitam de recuperação ampla e os gastos saem do controle. "No primeiro ano, tudo bem, é possível segurar o valor, mas depois de dois anos, o acumulo desses pequenos gastos extras resultam num desempenho negativo da empresa", afirma.

Outra questão que prejudicou o desempenho das maiores, segundo o professor, foi a queda nos lançamentos em 2012. No entanto, o professor acredita que na soma de 2013 o cenário pode ser mais positivo. "Entramos agora em um período de recuperação, o que significa que as empresas precisam vender para voltar o dinheiro em caixa. Nesse cenário, podemos esperar um ano de mais lançamentos e retomada", diz.

Outra oportunidade, na opinião do professor, fica por conta do espaço que as empresas médias de construção podem ganhar com esse mercado. "As empresas com porte médio, mas solidez no caixa ganham um espaço importante. Porque essas empresas mantiveram o ritmo de lançamentos esse ano, e ganham na vantagem da segmentação".

Apostando nesse segmento, Antonio Setin, da construtora Setin prevê lançamentos de R$ 500 milhões só no primeiro semestre do ano, com a expectativa de superar R$ 1 bilhão lançado em 2012 no acumulado de 2013. "Esperamos um ano melhor, um ano com mais crescimento", disse o executivo, ao DCI.

Na opinião do executivo, a perspectiva de crescimento vem apoiado em um segmento distinto: o mix used, caracterizado por um terreno com mais de uma modalidade de construção.

Na Mbigucci, a perspectiva de crescimento também contraria o mercado. "Na contramão do mercado imobiliário como um todo, que no ano passado deu uma desacelerada, a MBigucci contabilizou seu melhor resultado de vendas dos 30 anos de atuação da empresa, com 1.081 unidades comercializadas, e VGV de R$ 298 milhões, volume 20% maior que em 2011", destacou o presidente da construtora, Milton Bigucci.

No primeiro quadrimestre, a construtora MBigucci fez três grandes lançamentos, sendo dois residenciais e um comercial. Para este ano a perspectiva da empresa é gerar VGV R$ 458 milhões, através de 11 lançamentos.


Resultados x lançamentos

Para Flávio Leitão, professor de engenharia civil da Universidade Paulista (Unip) a tendência é que haja maior potencial de lançamentos das empresas com maior visibilidade no mercado. "Acredito que empresas com maior exposição no mercado, como a Cyrela e a Gafisa, sejam favorecidas esse ano, muito em função dos atrasos de lançamentos anos passado, e também por volume de caixa", disse ele.

No primeiro trimestre deste ano, a construtora e incorporadora PDG Realty registrou prejuízo líquido de R$ 73,8 milhões, revertendo resultado positivo de R$ 32,5 milhões no igual período de 2012. O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou e R$ 137,9 milhões, queda de 24% sobre o resultado obtido na comparação anual.

No mesmo período, a incorporadora Rossi Residencial fechou os três primeiros meses do ano com prejuízo líquido de R$ 9,97 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 62,56 milhões.

A meta da companhia é entregar 18 mil unidades este ano. No primeiro trimestre, foram entregues 3.089 unidades, das quais 64% voltadas ao programa Minha Casa Minha Vida do governo federal. "A estimativa da Rossi é que mais de 95% serão entregues até o final do primeiro semestre deste ano", afirmou a companhia no começo do mês.

Já a Gafisa, obteve prejuízo líquido de R$ 55,473 milhões no primeiro trimestre de 2013, aumento de 76% na comparação com igual período de 2012, quando havia reportado prejuízo líquido de R$ 31,515 milhões. O Ebitda caiu 64%, ao passar para R$ 18,767 milhões no período entre janeiro e março deste ano, ante R$ 52,248 milhões em igual período do ano passado. O Ebitda ajustado foi de R$ 67,886 milhões, ante R$ 100,335 milhões, na mesma comparação, o que representa uma queda de 32%.

A Brookfield Incorporações, por sua vez, teve prejuízo líquido de R$ 47,7 milhões no primeiro trimestre. O valor é quase três vezes maior que o prejuízo líquido de R$ 16,31 milhões do mesmo período do ano passado. Em conferencia com analistas, o presidente da incorporadora, Nicholas Reade afirmou que as margens da companhia terão melhoras mais expressivas no segundo semestre, e benefícios a partir do ano que vem.